
Aviso, esta review foi escrita enquanto a obra estava a ser lançada, cujo capítulo mais recente é o 117. Muitas das coisas que mencionarei, muito provavelmente, não serão afetadas com mais capítulos, mas, se tal acontecer irei editar e mencionar.
Por vezes precisamos de algo simples, que é fácil e rápido de ler, que saiba bem e que seja agradável, que apele a todos os nossos sentidos, algo que muitos diriam que não tem muita consistência ou interesse, feito umas centenas de vezes mas que nunca deu o real clique contigo até esta obra. Rapazes e raparigas, apresento-vos o Pseudo Harem de Yuu Saitou. Os capítulos originais deste manga são publicados no Twitter do autor, que, felizmente, foram editados em manga mantendo a estrutura e a arte.

Fui introduzido a esta manga como muitas que começo a ler. Vou a um site para ver atualizações de mangas atuais, olho para a capa, o título, algumas tags e começo a ler para ver se pega. Digamos que ter Harem no título foi algo que trouxe alguma água no bico, mas o que me fez clicar na verdade foi a imagem da personagem principal que servia de capa temporária. Uma rapariga aparentemente frágil, nervosa e um pouco tímida. Sabia lá eu que esta mera peça de arte, quase rabiscada com poucas linhas certas, abrir-me-ia as portas a um dos meus mangas preferidos.
Rin Nanakura e Eiji Kitahama são os protagonistas deste romance recheado de comédia. Ambos frequentam o clube de drama da escola com apenas um ano a separá-los, o que faz com que Eiji seja senpai de Rin. A premissa resume-se à amizade entre os dois colegas que se vai aprofundando mal Eiji diz a Rin que outrora teve sonhos sobre ter um harém, e esta, para surpresa do rapaz, começa a fazer o papel de vários estereótipos de raparigas para criar este harém fictício, ou melhor, o Pseudo Harem, tal como o título da obra indica.

Como também pode servir de treino, Rin experimenta agir de várias maneiras com variadas personalidades, como uma Tsundere, Cheeky Girl, Cool, entre outras. Eiji começa a gostar da ideia, por vezes até começa a agir como se estas personalidades fossem diferentes raparigas, mas nunca esquecendo de quem está a atuar, algo que ao longo do manga é explorado. Vais seguindo estas duas personagens através da sua vida na escola e fora dela, mais na perspetiva de Rin que desde o início mostra que tem uma grande paixão pelo seu senpai.

Aqui não há grandes preocupações como leitor, não existe um número enorme de personagens com que te tens de preocupar, não há triângulos amorosos, não tem momentos que pode levar alguém à depressão, é como entrares numa loja de doces e tudo o que têm à venda são coisas que adoras. Sinto que muitas pessoas não são grandes fãs disto, gostam de ter algo que lhes puxe o interesse, um rival que disturbe a paz dos protagonistas, alguma coisa que traga um twist à narrativa, algo que os irrite e que faça sentir na pele qualquer dor por parte do protagonista... Peço desculpa informar, mas essa é a razão pela qual eu adoro esta obra. É perfeita para estes míseros tempos que vivemos e serve para aquecer meros corações frios que necessitam de algo calmo e saudável para os aconchegar.

A história é contada através de capítulos pequenos de apenas quatro páginas, cada um com pequenos eventos que depois formam um enredo geral, ou seja, estão todas ligadas por continuidade, mas estão escritas de maneira a não deixar o leitor a pensar que o que aconteceu no capítulo não era suficiente, todos eles têm o seu início, meio e fim.
A arte é muito boa, tem um estilo meio de esboço, com algumas linhas limpas e outras não, com falta de detalhe quando esse não é necessário, personagens muito expressivas e cenários bastante completos e variados quando a história permite e os requere.

Os dois protagonistas são personagens muito boas, mesmo vivendo neste mundo quase de fantasia em que pouco ou nada corre mal, conseguem parecer quase palpáveis e reais. Muitas vezes sentia-me bastante feliz por eles, ria-me e entretinha-me com eles, muitas vezes me ri em voz alta ao ler os capítulos.
Não irei mencionar se já houve ou se algo indica que haja uma confissão de amor ou não, por razões óbvias, deixo isso para vocês.
Se não deu para perceber, recomendo vivamente este manga e espero que dê o mesmo clique a vocês como deu a mim.



Em inícios de 2019 vi o meu feed de Facebook a ser invadido de imagens de um certo anime.
Eram imagens engraçadas, frames tirados sem contexto, sempre com raparigas jovens e adoráveis a fazer das suas. Após uma pequena pesquisa dei com o nome do anime, ‘Watashi ni Tenshi ga Maiorita!’, ou, como é conhecido em inglês, ‘Wataten’. Pareceu interessante, havia algo que me chamava para o experimentar, mas nunca passou dessa pequena vontade… Até este mísero ano 2020 chegar.

As imagens de ‘Wataten’ continuam a invadir as redes sociais, ainda a serem usadas como meme, mesmo com muitas pessoas, incluindo eu, que as postam sem ter visto o trabalho original. A curiosidade aumentou, muitos diziam que o anime era mau, outros diziam que era mediano, eu, simplesmente disse, ‘Ok, vamos a ver de que é que se trata’.

Quando comecei a ver deparei-me com uma personagem bastante introvertida, talentosa, medricas, pervertida, duvidosa, mas com um grande coração. Miyako é o seu nome, a estrela deste enredo, do qual mais um grupo de três raparigas fazem parte, a sua facilmente excitável irmã Hinata, a calma e muitas vezes ‘voz da razão’ Hana e a feliz e adorável Noa.
As quatro são as personagens fundamentais para isto funcionar. A história, em resumo, trata de nos mostrar a Miyako, uma personagem que é ‘Shut-in’, uma estudante universitária, sem amigos, que adora o seu hobby de costurar vários fatos e acessórios para cosplay, mas raramente fabrica algo para si, pois não sente confiança necessária para os usar. Costura sim fatos mais pequenos, indicados para raparigas novas com a idade e uma estrutura semelhante à de Hinata.

Num dia fatídico, a sua irmã traz uma amiga, Hana, que traz um misto de emoções que Miyako nunca tinha sentido posteriormente, o seu lado introvertido estava a ser rapidamente consumido pelo seu lado mais pervertido ao ver a criança que aos seus olhos era perfeita para experimentar os seus variados fabricos.
Facto é, que, Hana não gosta muito da ideia e muito menos da forma como Miyako olha para si. A criança, todavia, entra nos planos, pois mesmo tentando estar séria nesta situação, não consegue recusar os belos doces que Miyako confeciona e que usa para convencê-la a vestir os seus figurinos. Noa é a nova vizinha da nossa família principal e entra na história após ver Miyako da sua janela a experimentar um dos seus fatos de tamanho adulto, algo que não costuma fazer devido ao seu embaraço pessoal.

Para muitos este episódio pode causar um pouco de desconforto, sendo que vemos uma adulta a olhar para crianças de uma forma amorosa demais, ao ponto de nos sentirmos seguros de a chamar de pedófila, uma pessoa que não devia de todo estar perto delas, mas à medida que vemos a série percebemos que não é bem assim. Miyako vê nestas crianças a juventude que outrora podia ter tido caso não tivesse problemas sociais. Elas são as suas amigas durante a série, são as pessoas com quem vai passar grande parte do seu tempo, são com quem se vai divertir, falar, passear e lanchar.

Contudo, não deixa de ser um pouco bizarro o que passa na cabeça dela por vezes, especialmente quando num episódio é lhe dado uns bilhetes de “Poder fazer o que quiser” das raparigas e vemos uma reação bastante pervertida da sua parte, se bem que nunca é explicito o que faria com eles. Algumas partes da história são por vezes repetidas até à exaustão, como a previamente mencionada chantagem de doces com a Hana, em quase todos os episódios é mencionado isso e o facto da reação da Noa e da Hinata não mudar muito mesmo com alguns pedidos extremos da Miyako.

Escusado será dizer que, para mim, isto não é caso para deixar de ver o anime. As várias situações diferentes em que as personagens se metem, o resto do cast que aparece para reforçar na história, como por exemplo a amiga da Miyako, Matsumoto, que nunca tinha sequer falado com ela e as colegas de turma da Hinata, a Kanon e a Koyori, e, como me poderia esquecer de mencionar, a comédia. Este anime é daqueles que nos deixa com um sorriso de orelha a orelha, mesmo nos momentos mais preocupantes para as nossas personagens, com alguns risos à mistura, o que é reforçado pela animação.

A animação deste anime é fenomenal, funciona perfeitamente com o humor e ajuda a dar mais enfâse às piadas, as personagens conseguem alterar o seu estilo visual em qualquer situação, sendo ao deformar-se ou a ficar com riscos mais carregados no desenho, tudo ajuda, especialmente quando no meio disto tudo tens uma animação extremamente suave com momentos que me põem a questionar em como raios é que um anime destes tem tanta qualidade a esse ponto.
Visualmente é bastante apelativo ao olhar, sendo que as personagens têm um estilo simples e imediatamente reconhecível, tem um shading que torna as personagens brilhantes, o que dá aquela ideia deste mundo ser uma fantasia ideal para a nossa personagem principal, os cenários fazem contraste suficiente com o que se passa à frente e têm uma textura semelhante a um lápis de cera, se bem que é apenas sobreposto aos fundos, pois são desenhados digitalmente como o resto do anime. A presença de CG é apenas limitada aos raros veículos que apareciam.

Algo que eu queria falar um bocado também, em específico, era sobre o último episódio, nomeadamente a primeira parte, onde as raparigas atuam na peça de teatro. Essa parte está extraordinária, não só a animação, mas também musicalmente. As vozes das raparigas e a música que acompanhava foram perfeitas, diria que esta deve de ter sido a parte com mais qualidade deste anime.

Overall, recomendo este anime, mas, com precaução. Há pequenas coisas que podem chatear e incomodar o espetador, tal como aquele enfâse nos gostos mais pervertidos da personagem principal ou em algumas coisas que são usadas em demasia na escrita do anime.
É um anime bastante puro e adorável que conta com as pequenas histórias diárias deste grupo de personagens, mas aconselho a verem pelo menos 2 episódios para verem se é para vocês ou não.
