
Um anime extremamente profano, desnecessariamente violento, excessivamente sexualizado e com um niilismo que permeia completamente a obra.
Acho super interessante a visão oriental sobre elementos da mitologia cristã e como os asiáticos (principalmente os japoneses) a usam para contar suas histórias. No caso de Devilman, acaba tendo uma troca rica por conta da mistureba que Go Nagai faz ao misturar cristianismo com conceitos da cultura japonesa. Como por exemplo, para os cristãos o conceito de mal nasce a partir da ausência de Deus, o NADA, o mal não possui essência, é um nada. Analogamente, o frio não possui essência, é ausência de calor.
Para os japoneses (graças ao xintoísmo que sempre procurou o equilíbrio entre todas as coisas) o maligno é tudo aquilo que ofusca, chama a atenção e que altere o equilíbrio e a paz. Isso tudo é ainda mais reforçado com o ponto de Ryo ser literalmente a encarnação de Lucifer, e se você parar para analisar o personagem, pode ser visto como a encarnação do mal japonês ao mesmo tempo, já que é um personagem LGBT, loiro e que não segue as condutas da sociedade local, exatamente o maligno perante os japoneses, já que é tão diferente aos seus demais.
Ultimamente ando escrevendo um projeto e eu diria que ele não existiria se não fosse Devilman. Talvez seja a minha maior inspiração no quesito de atmosfera e temáticas que uma obra possa ter me dado. Principalmente o conceito de ter que se tornar um demônio para lutar contra outros demônios. Acho engraçado como que é considerado Shounen sendo que é ABSURDAMENTE violento e sexualizado, tenho curiosidade pra ver como é a diferença cultural em relação a visão da violência na sociedade para os japoneses.
E mesmo sendo bastante pesado ainda sim pela forma em que conduz a narrativa, é bem jovial. Consegue ficar no meio termo, na sua forma cru e estilizada de mostrar a violência porém ao mesmo tempo com pausas no roteiro para dar lição de moral para alguma pessoa mais "infantilizada". Akira Fudou talvez represente esse adolescente que venha a ler/assistir Devilman e se identificar no personagem já que de uma forma ou outra está passando pelas mesmas coisas que o protagonista da história que é a fase de descobrir um corpo novo e a sua relação com o mundo, a temida puberdade (no caso de Devilman é no sentido bem literal mesmo).
Além do triangulo amoroso formado entre Akira, Ryo e Miki e como o adolescente no ápice de seu hormônio e puberdade não conseguiu descobrir sua sexualidade. Metaforicamente os demônios de Devilman não servem apenas no sentido literal de criaturas malignas e sim também para as dificuldades da vida em que os personagens da obra estão passando (e provavelmente os espectadores já que o publico alvo é bem juvenil apesar de tudo). Tanto que um dos primeiros demônios que aparecem para Akira é justamente uma mulher com olhos e bocas em seus peitos, uma forma de body horror para demonstrar o estranhamento do personagem com o corpo feminino por ser considerado "desconhecido" para ele.


De certa forma, é meio irônico eu ter assistido a esse anime pela primeira vez quando tinha 14 anos, já que grande parte dos personagens também tem essa idade. Parecia que ele havia sido feito exclusivamente para mim, como se alguém quisesse passar uma mensagem diretamente para mim. Ainda me lembro do sentimento que tive ao assisti-lo pela primeira vez; lembra-me o dia em que perdi minha fé.
Quando assisti a esse anime pela primeira vez, estava no fundo do poço, mergulhado em depressão, cogitando suicídio todos os dias. Não aguentava mais o peso da vida, o peso da desesperança. De que adiantava lutar contra minha depressão se eu era nada, ninguém, se iria morrer de qualquer forma? Assistir a esse anime é como se estivesse revivendo esse mesmo sentimento de desesperança. Em Evangelion, assim como em minha vida, é como se Deus estivesse morto. A falta de uma percepção de futuro na vida dos personagens não é diferente das nossas. As lutas travadas são em vão, a morte paira sobre a cabeça de todos ao ponto de todos os indivíduos (incluindo a audiência) se perguntarem se realmente vale a pena todo esse sofrimento quase diário de se defender dos ataques dos anjos. A repetição excessiva na primeira metade do anime reforça esse sentimento de desesperança, já que toda luta é uma batalha árdua. Nenhuma vez que os personagens sobrevivem é em tom de vitória; pelo contrário, todos apenas perdem nesse mundo, não há comemoração, apenas lamentação. E qual é o ponto de lutar contra se, em algum outro dia, outro anjo ainda mais poderoso irá aparecer? É interessante como o anime utiliza essa repetição para construir sua narrativa e, em sua reta final, desconstruir a si mesmo. Além disso, claro, servir ao tema do próprio anime.
É perceptível que Neon Genesis Evangelion é um grito. A primeira metade do anime é como se fosse uma pessoa enchendo o pulmão, e a reta final é como um grito escandaloso soltando todo esse ar. Um grito dolorido de pedido de socorro.
Evangelion é a solidão. Solidão essa que perpassa os seus personagens com o medo de ferir ou ser ferido, igual Jean Paul Sartre uma vez disse:
O inferno são os outros
Essa crise existencialista é uma das temáticas principais da obra, já que se eu me fecho eu irei ferir os outros porém se eu me abrir serei machucado. O dilema do porco-espinho já dizia Schopenhauer. Querer ser amado em um mundo onde o amor já não existe mais é o peso que o protagonista (e outros personagens) é obrigado a carregar.
A obra também é sobre a conexão humana, a força das amizades e relações em que fazemos, já que o mundo é cruel, nos resta não se juntar a essa crueldade. Todo episódio desse anime é para reforçar esse ponto, de que devemos nos abrir para as outras pessoas, aprender a confiar, a amar, a sentir mais. Não precisamos nos enfiar no meio da escuridão sozinhos. Devemos aprender a lutar contra o sentimento de isolamento, que ao mesmo tempo que pode ser usado como defesa, também pode ser usado como arma. Nessa tentativa de se proteger com medo de se ferir que podemos acabar machucando as pessoas que amamos.
Em alguns episódios também acabam rolando uma sexualização que algumas pessoas podem dizer que é apenas fan-service. Eu diria que sim e não. Eu diria que talvez possa ser, não se sabe a cabeça do diretor. Porém acredito que não seja apenas isso e sim que tem uma função maior, principalmente a narrativa do anime. Ainda mais pondo em contextualização que o Shinji tem apenas 14 anos, é um adolescente, está vivendo o ápice de seus hormônios e está começando a descobrir o sexo. Tanto que quando ele não está presente em cena, as outras personagens não sofrem tanta sexualização. Eu diria que Neon Genesis Evangelion é um anime "anti-anime" já que pega várias convenções de sua forma e gênero e usa elas de outra maneira, para criticar ou para desenvolver algum outro tópico partindo disso. A Rei Ayanami por exemplo, é uma personagem que começa sendo literalmente tratada como um objeto. Os personagens a tratam como objeto, porque ela não passa disso, ela mesma se enxerga como tal. Rei Ayanami pode ser lida como a waifu "perfeita" para uma grande parte dos otakus, justamente pela sua submissão e falta de reação às coisas que acontecem a sua volta, além de seu cabelo azul e olhos vermelhos, remetendo a um visual mais de "anime" por conta de ser colorida, ressaltando ainda mais a sua diferença aos outros personagens, como se ela não pertencesse àquele mundo, a aquele anime. A conclusão de seu arco é justamente perceber que ela não é boneca de ninguém e que pode viver a vida da maneira que quiser. Ela é dona de si própria e não dos homens à sua volta. A Asuka é outra personagem que se sexualiza propositalmente para provocar Shinji (e por consequência a audiência) pois como ela está se descobrindo sexualmente, ela percebe que é uma adolescente ainda e acredita que para se tornar mais "madura" precisa fazer atos que pessoas adultas fazem, no caso sexo.
Rever o anime hoje é diferente da sensação que eu tive ao assistir pela primeira vez. Hoje em dia tenho 19 anos, já sou um homem adulto. Quando eu era adolescente conseguia me enxergar no Shinji em alguns quesitos (Eu sei que isso não é algo bom) e entrando em contato com a obra de novo hoje em dia percebo que eu ainda estou nessa transição da vida adolescente a vida adulta. Eu me conheço diferente do meu passado, consigo me dizer quem eu sou, porém agora percebo que não sei dizer quem eu sou no MUNDO. Onde eu estou e porque. Qual a minha função. De uma hora pra outra eu virei adulto do nada e estou percebendo isso apenas agora. A adolescência é um momento estranho na vida de todo mundo, a alteração dos hormônios, o estranhamento do corpo novo que começa a crescer pelo e espinha, a falta de noção na sociedade. E esse momento da vida que estou agora também vejo pouca gente comentando, às vezes me sinto como se fosse uma sombra de quem eu poderia ser, sinto que poderia ser melhor, ser mais. Percebo que ando frio, frio nos meus sentimentos, nas minhas amizades. E acho que o ponto do anime é justamente de evitarmos essa frieza, evitar ao máximo esse escapismo, que se isolar e viver na zona de conforto é fácil, muito fácil.
Os episódios que mais me identifiquei nessa reassistida foram justamente nos episódios em que o Shinji tenta fugir de suas responsabilidades. Não querendo mais lidar com seus problemas, simplesmente virar as costas e ir embora. Inconscientemente estou realizando essas mesmas ações no meu dia a dia, ando sendo irresponsável igual ele, agindo igual um adolescente e ferindo aqueles que me importo. Eu ainda tenho muito o que mudar sendo sincero, ser menos egoísta no meu sofrimento, às vezes tenho a consciência que eu vivo como se apenas eu sofresse nesse mundo, sendo que não é verdade, todo mundo sofre igual e eu não deveria ser tratado "melhor" que as outras pessoas apenas pela minha depressão. Às vezes fico alienado em meu sofrimento igual os personagens do anime, e esqueço do outro, pois eu só existo graças ao outro. Só tenho a visão de mundo que tenho agora graças às outras pessoas e se não fossem elas eu provavelmente não estaria aqui onde estou. Por confiar em meus amigos e nas minhas relações que ainda estou vivo.
É engraçado como o anime em sua totalidade é completamente desesperançoso, oblíquo, porém em seus últimos dois episódios ele vira uma sessão de psicoterapia e termina com um tom otimista e de esperança, pois Shinji finalmente encontra o seu lugar no mundo e reconhece a existência dos outros. Talvez por conta de seu caráter mais experimental em seu final muita gente o olhe com tom de reprovação sendo que na minha opinião ele se encerra de uma maneira ótima para a história, pois Evangelion nunca foi sobre as lutas de robô contra alien e sim sobre a luta que temos contra nós mesmos, o eu. E por abrir mão dessa estrutura formulaica na sua primeira metade e mergulhar de vez em seu tom mais filosófico e ambíguo que afasta muita gente, o que eu consigo entender porém discordo quando se fala que o final é fraco e ruim. Ele se encerra da melhor maneira que o anime podia se encerrar, conseguindo achar esperança em um mundo onde não existe mais, amor onde medo e ódio reinam, e Evangelion para mim é justamente isso, é sobre achar esperança em tempos sombrios, tentar pensar no futuro mesmo que tudo esteja dando errado na sua vida. Abraçar sua família, seus amigos, sair do quarto, tirar o fone de ouvido e ouvir a rua, sentir o ar entrando em seus pulmões. Viver é complicado e está tudo bem, o que importa é tentar.
Ao meu pai obrigado
A minha mãe adeus
E a todas as crianças do mundo
Parabéns








Essa Review vai ser um pouco grande, pois eu tenho várias coisas para poder dizer, e mesmo eu podendo usar todas as palavras do mundo, ainda não seriam o suficiente para eu poder descrever o que Darling in the Franxx me fez sentir.
E não foram sentimentos bons. Pelo o contrário, foi uma das experiências mais frustrantes e decepcionante que eu tive assistindo um anime.
Minha indignação foi tanta, que eu nem sei como começar a escrever essa Review, eu vou tentar transcrever o que senti, assistindo a esta obra.
Enquanto isso tome uma música para te distrair enquanto lê a review, pra não ficar chato.
Talvez o maior defeito de Darling in the Franxx seja se inspirar em Neon Genesis Evangelion. Inspirações é algo natural e normal na hora de criar uma história, porém quando você vá fazer uma obra inspirada em evangelion, não beba direto dessa fonte, e sim leia e assista o que Hideaki Anno leu e assistiu para escrever evangelion. Assim você terá a mesma essência, porém terá algo original e não vai ser comparado diretamente com Evangelion.
Mas isso não é o caso de Darling in the Franxx, é extremamente inspirado em Evangelion, inspiração até demais talvez, você sempre fica com sensação de ter visto alguma cena em algum lugar, e apesar de a história ter as suas diferenças e originalidades, é perceptível que Darling in the Franxx tenta aí máximo ser superior do que ao anime que o inspirou, porém é patético, é ridículo essa tentativa de ser o novo Evangelion, não chega a nem 10% do que Eva realmente é.
Eu não sei, a partir do episódio 16 pra frente a história começa a se apressar, a dar passos largos, chuto que os roteiristas foram obrigados a escreverem o mais rápido possível, sendo que devia ter terminado no 15° episódio e depois terem feito outra temporada, teria tido mais sentido e mais preparo para o resto da história, coisa que não tem na sua reta final. Sentido e preparo.
Darling in the Franxx é um grande exemplo de uma péssima direção, uma das piores direções que eu vi, é porco, é preguiçoso, é desleixado.
Os últimos 4 episódios são apenas coisas jogadas com nenhuma explicação, conveniências e muito, mas muito furo de roteiro, é um show de horrores.
Eu estava começando a gostar do anime, e então eles forçam um clímax apenas por ser o fim do anime, mas é forçado, não é legal.
E a direção é horrível, ela se perde, nem ela mesmo sabe o que quer, de uma hora vai pra mecha e então vai pra nave espacial, do nada vira Star Wars.
A história estava indo bem, os personagens são legais e os conceitos desse universo são interessantes, mas então começa a forçar um tom apocalíptico e épico que ninguém pediu, o anime estava indo no caminho A e na sua reta final foi parar no caminho C, mas não é uma curva suave, é uma curva completamente brusca, de última hora.
Um outro defeito da série foi a sua repetição, principalmente no casal principal, o conflito de ambos já havia sido resolvido no episódio 15, porém toda hora fica repetindo a mesma coisa, o mesmo conflito. Assim como tem um outro casal que não tem muita relevância, porém a história continua a insistir em focar nesse relacionamento, mas tipo, tanto faz.
A história também é previsível, e não passa em momento algum sensação de perigo para os personagens principais, em momento algum você fica com medo de alguém morrer, é nulo qualquer sentimento de perigo e preocupação, pois nada realmente acontece, e conveniência de roteiro em momentos chave acaba broxando mais ainda.
A trilha sonora de Darling in the Franxx eu achei genérica, não é marcante, é aquele tipo de trilha sonora que tenta ser épica, mas na verdade é só genérica de tanto que usam esse tipo de música, eu acabei com apenas duas músicas da trilha sonora na cabeça, mas fora esse duas, nada.
Assim como o visual dos urrosauros, não é nem um pouco criativo, são apenas algumas formas geométricas ou alguns bichões meio quadrado, com uma CGI questionável as vezes
As lutas me deixavam exausto, eu sempre implorava a Deus pra acabar as lutas, são cansativas e você não sente o peso dos Franxx, parecem boneco de brinquedo, não tem aquela sensação de peso pro tamanho deles.
Porém, Darling in the Franxx tem os seus lados postivos.
Uma delas é a produção e animação, o anime é lindo, principalmente os cenários e personagens, esteticamente falando o anime é perfeito, o design dos personagens, naves e construções é interessante, principalmente dos Franxx.
Outro lado positivo do anime é o romance, dá pra dar uma emocionada, e tem momentos bonitos e poéticos, que na minha opinião são os únicos momentos bons desse anime no geral.
E os personagens são bens escritos, até os personagens que no começo são "odiáveis" , no fim do anime você acaba gostando e se emocionando. Principalmente a Zero Two, ela é uma ótima waifu, e carrega facilmente o restante do elenco nas costas, tanto que 70% provavelmente apenas assistiu por conta dela
Darling in the Franx é um exemplo de anime que tinha potencial, porém péssima direção e falta de inspiração e originalidade acabou arruinando completamente a trajetória final do anime.
O que é uma pena, que decepção.


Essa é a minha primeira review escrita no AniList, eu deixei a preguiça de lado por pelo menos uma vez e vou finalmente ter a vergonha na cara pra escrever uma review sobre a franquia de anime favoritas, que eu cresci assistindo desde os meus 11 anos de idade.
Essa review é meio grande, mas foi meio necessário, tome o tempo que quiser.
Uma música pra você ouvir (se quiser claro) enquanto lê ao mesmo tempo, pra não ficar tão massante
Para poder escrever sobre Rebuild of Evangelion eu vou ter que puxar um pouco do texto para o anime original: Neon Genesis Evangelion e The end of Evangelion






Obrigado, meu pai. Adeus, minha mãe. E à todas as crianças do mundo, parabéns.
Adeus, todos os Evangelions.
