
[SPOILERS]
Todos os trechos da obra que cito aqui foram traduzidos por mim do inglês. Infelizmente, o melhor que pude fazer foi a tradução de uma tradução, que muitas vezes mata a intenção artística original por completo, ainda mais se feita por alguém que não possui conhecimento de tradução, como eu, porém deixarei os excertos originais em inglês após o texto para fim de clareza.
O tipo mais comum de histórias de amor são histórias de superação. A consumação do amor entre duas pessoas não pode vir de graça, mas sim acompanhado de diversas provações para que a força desse sentimento seja provada. Unnamed Memory é um desses tipos de história: a de um amor sofrido, proibido e até mesmo impossível, que muitas vezes não consegue superar as barreiras impostas a ele.
Entretanto, antes de tratar da relação entre os protagonistas, faz-se necessário adentrar em um dos pontos fortes da obra, que se mantém no subtexto até pouco antes do acontecimento do final: a crítica geopolítica. Todavia, para isso, é preciso desenvolver um pouco da trama da história. Em Unnamed Memory, quatrocentos anos antes do início da história, acontecia o período conhecido como ‘Era das Trevas’ ¹, em que a guerra era uma constante e todos os reinos estavam em ininterrupta batalha tanto entre si, quanto internamente. Após o fim dessa época, começa a ‘Era das Bruxas’ ², em que a ameaça do poder de grandes bruxas garantiu relativa paz, mantendo grandes nações em cheque, como observado no trecho: ‘Comparado à era terrível pintada de guerra e traição que foi a Era das Trevas, a Era das Bruxas era em grande parte pacífica, com apenas algumas pequenas correntes de discórdia. Talvez esse fosse o resultado natural das pessoas se acovardando perante as todas-poderosas bruxas’ ³. Observando essa construção de mundo, nota-se claramente um paralelo com a realidade, em que houve um período de guerras extremamente violento de meados do século XIX à meados do século XX, seguido de um período de larga paz (em comparação, claro) construído pelo medo do uso de bombas atômicas. E assim como na realidade, no primeiro ato de Unnamed Memory, esse medo é gerado pelo uso desse poder para destruição e matança de milhares e milhares de pessoas, tornando diversas áreas inabitáveis por longos períodos de tempo, os chamados na história de lagos mágicos. ‘Entretanto ela não pôde absorvê-lo totalmente e as partes que não o foram, se espalharam pelo mundo, formando os lagos mágicos.’ ⁴. E Kuji Furumiya faz questão de deixar claro como a personagem que viveu essa época, Tinasha, pensa sobre a relação de pessoas com tal poder supremo: ‘ “Você não deve nunca encontrar com uma bruxa. Não deve nunca escutar uma bruxa. Não deve nunca tentar entender uma bruxa” ‘ ⁵ e em ‘ “Os espíritos místicos de Tulddar e a Akashia de Farsas são absolutos precários, que dependem do poder individual e de suas linhagens. Nós devemos priorizar a força que se estabiliza através do povo ao invés de esperar que alguns poucos detenham todo o poder” ‘ ⁶. Dos olhos dessa personagem entende-se que ainda que a paz estivesse colocada, ela era frágil e dependia do medo, por isso durante a obra é possível notar ainda diversas escaramuças motivadas por religião, preconceito, até mesmo obtenção de um poder maior, sobre as quais o autor demonstra-se desesperançoso ‘ “É por isso que com o tempo, as pessoas repetirão o mesmo ciclo de desespero”, vociferou Tinasha friamente em resposta’ ⁷. Demonstra-se, portanto, um certo pessimismo e inclinação a acreditar, pelo menos geopoliticamente, que o mundo não mudou, que o medo apenas tornou a propensão à guerra menos aparente, apesar de ainda presente.
Ainda tratando de crítica, faz-se completamente necessário citar de uma guerra em específico que chama atenção de qualquer educador do Brasil: a guerra contra Cuscull. Esse país em específico é uma província rebelde de um outro, Tayri, que no contexto da obra é um país que persegue magos em nome de religião. Cuscull surge em resposta à Tayri como uma nação apenas de magos, que não permite a existência de pessoas sem poderes mágicos. Essa dinâmica é presente no famoso livro do educador e filósofo da educação Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido, em que há a ainda mais célebre frase "Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor", que aparece como paralelo em Unnamed Memory ‘Os oprimidos se reuniram para formar um país e agora passaram a desprezar qualquer um que não fosse um deles’ ⁸.
Finalmente, tratar-se-á do enredo em si, da história de amor entre Tinasha e Oscar. A doce narrativa começa amarga, de certa forma. Amaldiçoado a matar qualquer esposa que engravidasse, Oscar busca ajuda de uma bruxa para quebrar a maldição e poder dar continuidade à linhagem real de Farsas. Entretanto, ao descobrir que uma mulher poderosa o suficiente poderia dar à luz a um filho seu, ele a pede em casamento no mesmo instante ‘ “Você conseguiria aguentar a magia da bruxa do silêncio, (Tinasha)?”. “Facilmente, mas… espera…” [...] “Bom, então isso está resolvido [...] Meu desejo como campeão é que você desça dessa torre e se torne minha esposa” ‘ ⁹. Apesar de recusar o pedido, Tinasha decide ajudá-lo a tentar quebrar sua maldição e então começa a girar a roda de amor. No primeiro ato, a dupla enfrenta diversos desafios, sendo o maior deles a insensibilidade de Tinasha. Apesar de eventualmente querer estar ao lado de Oscar e viver para com ele, Tinasha se recusa a compreender os próprios sentimentos, uma vez que sua longa vida e trauma transformaram-na em um ser vazio desse tipo de sensação. Tinasha vivia para libertar as almas dos lagos que ela havia criado e nada além disso, num trauma profundo que envolvia ela sendo utilizada de sacrifício pela única pessoa que confiou em vida, Lanak. ‘ “Eu posso finalmente libertar as almas que você (Lanak) matou quatrocentos anos atrás — todas aquelas pobres pessoas que derreteram nos lagos mágicos.” [...] “Aeti, você me trairia de novo?” “Te trair? A razão pela qual eu ainda estou viva hoje é toda para este momento”, declarou a bruxa’ ¹⁰. Sendo assim, foi papel de Oscar ajudá-la a superar esse trauma e insistir nesse amor para conquistá-la. Entretanto, pelo peso de seu sentimento, Oscar involuntariamente ativa um artefato, volta no tempo sem querer e salva Tinasha ainda quando era criança. Com a alteração temporal, o Oscar que voltou no tempo deixa de existir e a única lembrança que o mundo tem do amor dos dois é a vida que Tinasha pôde levar e a sobrevivência de seu reino. Ninguém mais é testemunha do tamanho do sentimento que já compartilharam e essas memórias estão seladas para todo sempre.
Com isso, é dado início ao segundo ato da história, cujo primeiro motor é o amor que Oscar coloca ao salvar sua amada. Na execução desse simples gesto, a trajetória de vida de Tinasha passa a ser centrada ao redor de retribuir o afeto que recebeu. Para cumprir esse objetivo, entra em um sono mágico profundo apenas para acordar na era em que Oscar está vivo e encontrá-lo. Com isso, se invertem os papéis, Tinasha passa a buscar fazer Oscar apaixonar-se, enquanto este a recusa veementemente, colocando em perspectiva como o amor pelos dois pode vir genuinamente de ambos os lados, seja esse amor acaso do destino ou não ‘ “Suas peculiaridades são fascinantes e eu me divirto com seus pontos fortes e fracos. Eu gosto das decisões que você toma, como você leva sua vida. Quão infantil você e a rainha em você também. Eu acho que sua maneira de viver é bonita, mesmo que isso seja apenas uma parte do que você é” ’ ¹¹. Eventualmente, ambos novamente declaram seu amor um pelo outro e decidem se casar, enfrentando diversas adversidades novamente ‘ “Se estiver disposto a me receber, então com todo prazer eu aceito a sua proposta” ‘ ¹².
Entremeio a estes eventos, no segundo ato surge uma outra história, a história de Valt e dos seres externos ao mundo. Essa subtrama aparece bem tarde na história e é feita de forma corrida, aparentemente para tentar construir um final que se sustente. Entretanto, isso não acontece, uma vez que o desenlace do enredo depende muito da crença do leitor em artifícios não explicados, como o fato de Tinasha ter se tornado herdeira da leitura do tempo, ou que foram explorados de uma forma extremamente conveniente, como o surgimento do lago do silêncio e sua função, se unindo para formar uma cena que pode ser considerada no mínimo desagradável de Oscar e Tinasha conversando com os ‘seres de fora’ e recebendo sua nova missão. Portanto, é notável que o personagem Valt tinha muito potencial pouco explorado para se tornar apenas mais um artifício do roteiro ‘Pessoas que não podiam ver o futuro guiavam suas vidas com a benção da ignorância. Mas ele, sem ter essa saída, não tinha escolha a não ser se agarrar àquela única esperança’ ¹³.
Finalizando, um último comentário é sobre as semelhanças que notei que a obra compartilha com Re:Zero. Ao ler os livros, logo se descobre que Tappei Nagatsuki e Kuji Furumiya são amigos de longa data, que escreveram suas maiores obras quase ao mesmo tempo e por isso é de se esperar que contenham similaridades, como por exemplo o uso de bruxas como símbolo do medo de uma era que começou 400 anos no passado, algo bastante específico, ou até mesmo o próprio tema de viagem no tempo, sendo uma única pessoa capaz de reter essas memórias.
Resumindo, uma obra curta, proveitosa, com bons personagens e um enredo cativante, que sofreu porém de uma desordem generalizada nos últimos capítulos, jogando diversos aspectos da obra aos ares. Num geral, pode-se afirmar que é uma experiência positiva apesar de tudo
¹ ‘Dark Ages’
² ‘Age of Witches’
³ ‘Compared to the gruesome era colored by war and betrayal that was the Dark Age, the Age of the Witches was largely peaceful, with only a few currents of discord. Perhaps that was the natural result of people cowering in fear of the supremely powerful witches’
⁴ ‘ However, she couldn’t absorb it all, and the parts that she couldn’t scattered all over the world, forming the magical lakes’
⁵ ‘ “You should never meet a witch. You should never listen to a witch. You should never try to understand a witch” ’
⁶ ‘ “Tulddar’s mystical spirits and Akashia of Farsas are precarious absolutes that rely on the might of individuals and their bloodlines. We need to prioritize strength that’s stabilized throughout the populace instead of expecting a few to have all the power” ‘
⁷ ‘ “This is why, with time, people will repeat the same cycle of despair,” Tinasha snapped back codly’
⁸ ‘The oppressed had flocked together and now they looked down on anyone who wasn’t one of them’
⁹ ‘ “Could you withstand the Witch of Silence’s magic (Tinasha)?”. “Easily, but… Wait…” [...] “Well then, that’s sorted [...] My wish as a champion is for you to descend from this tower and be my wife” ‘
¹⁰ ‘ “I can finally set free the bound souls of the people you killed four hundred years ago — all those poor people who melted into the magical lakes” [...] “Aeti… Would you betray me again?” “Betray you? The reason I am still alive today was all for this moment,” the witch declared’
¹¹ ‘ “Your oddities are amusing, and I enjoy your strengths and your weaknesses. I like the decisions you make, how you carry yourself. How childish you are, and the queen in you as well. I think the way you live your life is beautiful, even if that’s only one part of who you are” ‘
¹² ‘ “If you’ll have me, the I gratefully accept your proposal” ‘
¹³ ‘People who couldn’t see the future made their way in the world with ignorance as their salvation. But he, lacking that escape, had no choice but to cling to a single hope’#

Kusuriya é um dos melhores animes dessa década e justamente por isso decidi fazer essa review, já que senti que precisava expressar meu sentimento em relação a essa segunda temporada e por que não a considero nem perto de ser tão boa quanto a primeira. Não sou bom com palavras, nem com articulação textual, porém tentarei ser claro ao máximo. Tratarei de 3 pontos principais (o enredo, os personagens principais e a produção) e minimamente de alguns outros detalhes.
Primeiramente, é necessário postular que Kusuriya é uma obra com um enredo muito bem pensado. Desde a primeira temporada é notável o quanto os mínimos detalhes estão conectados para criar uma história engajante e que instiga o leitor a colocar o cérebro para funcionar, tentar conectar os pontos. Essa temporada não foi diferente, no início histórias que pareciam desconexas foram ligadas para o surgimento de um grande final com diversas reviravoltas. Apesar de não achar esse método de todo ruim, acredito que nesse caso em específico ele não funcionou, uma vez que os arcos iniciais dessa temporada foram maçantes, muitas vezes desconfortáveis de se assistir, com destaque em particular para o arco da caça, que considero o pior de toda obra até aqui. Um dos principais motivos sendo que nele ocorre o ápice de um dos aspectos que considero os piores nessa porção da história: a relação de Jinshi e Maomao, assunto do qual tratarei mais depois. Deixando isso de lado, devo dizer novamente que toda complexidade envolvida na vivência do antigo imperador, nos impactos das atitudes dele e a árvore genealógica da família real são fantasticamente executados seja no que é deixado explícito ou no que é implicitamente explorado e provavelmente será mais tratado em uma próxima temporada.
Sobre os personagens, novamente inicio dizendo que esse é um dos aspectos fortes da história, principalmente na primeira temporada, na qual são os personagens, suas interações e intenções o que a tornam tão interessante. Entretanto, nessa continuação temos uma abordagem que apesar de parecida é muito mais intimista quanto a seus dois personagens principais, Maomao e Jinshi. Em todos os momentos que ambos apareciam na tela era possível perceber que a autora estava preparada para dar o próximo passo na relação dos dois, porém acredito que da forma errada. Apesar de entender tanto que o Jinshi está impaciente por não conseguir transmitir seus sentimentos à Maomao, que tem dificuldades em entender os sentimentos de outros, não pude deixar de me sentir desconfortável perante às constantes investidas que sempre deixavam a Maomao incomodada, configurando, pelo menos para mim, assédio. No mais, acho muito interessante tudo que envolve a Shisui, suas relações com conhecidos próximos, e em particular com sua mãe. O anime nos mostrar ambos os lados dela para só depois revelar que eram a mesma pessoa é sensacional e um dos pontos altos dessa parte.
No tocante à produção, infelizmente tenho mais críticas do que elogios. Não darei um passo maior que a perna e dizer que essa temporada estava muito mal produzida, até porque não havia quadros mal desenhados, nem erros que poderiam ser considerados risíveis. Todavia, é fato que haviam muitos mais quadros estáticos nessa temporada, fato que se evidencia principalmente no arco da guerra, em que basicamente não há movimento. Além disso, a direção também teve uma queda. Em particular quero destacar a cena de finalização da Shisui, em que ela dança, que apesar de toda carga emocional que carregava, foi feita fora de tom e com uma assincronia intensa entre o que acontece na tela e o sentimento que aparentemente quer ser transmitido. Ainda que se considere isso proposital para representar a dualidade e falsidade na vida da personagem, há outros episódios em que a mesma coisa acontece, em particular no arco da caça. Sobre a trilha sonora, não há muito o que dizer além de que continua muito boa, combinando bastante com o tom da obra.
Finalizando, também gostaria de opinar sobre as openings e as endings. As duas aberturas são ótimas e deixam para trás o fantasma da segunda abertura da primeira temporada, que deixou bastante a desejar. Já os encerramentos são ambos bem comuns, e na minha opinião, piores que os da primeira temporada, porém não ruins.
Em suma, em resposta a uma primeira temporada que te deixa cheio de expectativa, veio um balde de água fria com desenvolvimentos desconfortáveis, uma produção pior e mais chato de se assistir. Ouvi de pessoas que leram os livros que os próximos arcos serão melhores e por isso continuarei. Obrigado por ler até aqui e espero que minhas palavras tenham agregado em algo na sua experiência da obra.

Seguindo uma mediana primeira temporada temos Oshi no Ko 2, que para minha surpresa foi muito melhor que a primeira temporada.
O elenco como um todo evoluiu nessa temporada. Apesar de continuar a não gostar do personagem do Aqua, nem do que ele representa, juntamente com a Kana e a Akane ele teve sua vez de brilhar. Devo dizer que considero Kana Arima a melhor personagem dessa série com certa sobra.
A primeira e maior parte dessa temporada consistiu na montagem e apresentação de uma peça de teatro. Os dramas envolvendo a roteirização não me cativaram muito, mas não chego a dizer que os dramas são ruins, porque abrem uma dimensão para um melhor entendimento da indústria de animes numa espécie de metalinguagem, porém é na parte da atuação que achei que a escrita de Aka Akasaka brilhou, o que não é surpresa, já que em seu outro (e melhor) mangá ele domina com perfeição a arte de mostrar os personagens fingindo emoções e tramando peças para tentar conquistar um ao outro. Kana e Akane, com sua rivalidade construída ao redor do Aqua (infelizmente), tiveram espaço para crescer e mostrar suas qualidades na atuação e a forma como elas veem o "atuar".
Quanto à parte final do anime, devo dizer que fiquei um pouco triste com a "passagem de bastão" do ódio vingativo do Aqua para a Ruby. Como já disse em minha review anterior sobre oshi no ko, considero esse o pior aspecto da obra. Além disso, a apresentação do que pode ser uma das responsáveis pela reencarnação dos personagens principais também não me agradou muito, talvez fosse melhor deixar isso no ar sem explicação para depois não cair em contradições sobre essa capacidade. Confio muito no autor, mas não tenho fé que isso será bem resolvido até o final, porém só próximas temporadas poderão revelar isso.
No mais, considerei a animação fluida, apesar de não ter conhecimento suficiente para dissertar sobre isso. Vale ressaltar também que fiquei completamente viciado em Pop In 2 (minhas viagens pelo metrô não foram mais as mesmas desde que eu comecei a escutar).
A outra ending também é muito boa, com certas mudanças sutis conforme passa a história e como de praxe uma opening impecável (até porque o anime só tem duas openings e uma delas é do Yoasobi).
Enfim, uma ótima segunda temporada, muito melhor que a primeira, com a mesma qualidade de execução do estúdio responsável, Doga Kobo, que antes de Oshi no Ko já trazia produções de muita qualidade. Aqua continua sendo um protagonista INDIGNO ao desenho animado, não merecedor da minha Kana (que é a melhor personagem dessa história). Espero que na próxima temporada possamos ver mais da B-Komachi.

Oshi no Ko é um anime que critica a indústria do entretenimento (com particular enfoque no Japão) e seus impactos na saúde, vida e relações daqueles que fazem parte dela. Apesar disso, o anime tem um início muito mítico, e encontra uma motivação para o protagonista na vingança em relação à morte de sua "mãe", que não é um tema particularmente interessante para se basear uma história. História tal que se sustenta no carisma de certo personagens e no resquício do tema original que ainda há.
Primeiramente, devo dizer que o anime é visualmente bonito, principalmente o primeiro episódio. Apesar de não ser nenhuma obra de arte, é bem acima da média em relação aos animes comuns de temporada. É possível até perceber o carinho daqueles que produziram esse anime em relação a obra. A obra também conta com uma ótima trilha sonora, com enfoque para a opening que é particularmente muito boa.
Também, essa produção tem um primeiro episódio extremamente impactante, sendo esse praticamente um filme, no qual são apresentados todos os rumos que a história seguirá (ainda com um subplano sobre mentiras, que será mais explorado conforme a história avança, aparentemente), rumos que particularmente não gostei. A vingança é um tema muito delicado de se trabalhar, até porque é uma faca de dois gumes: pode-se criar um personagem extremamente edgy que se sente feliz por se vingar (o que parece ser o caso) ou pode-se desenvolver uma história interessante sobre o quão vazia a vingança pode tornar alguém, como é feito com o Kurapika em Hunter x Hunter. Soma-se isso ao fato de que a maior parte dos personagens são carismáticos porém vazios, sendo a Ruby o maior exemplo de inutilidade por enquanto uma vez que serviu apenas para manter a história rolando sem nenhum desenvolvimento do que se passa em sua cabeça.
Ainda, como mencionei no último parágrafo, Oshi no Ko apela muito para o aspecto "frio e calculista" do protagonista, o Aqua. Alguns arcos, como o da Akane, são rushados e tem uma finalização extremamente tosca para reforçar o aspecto "heroico" e genial do Aqua, que é apenas irritante e muito vergonha alheia (é o protagonista perfeito para um anime de temporada, já que todo mundo vai gostar por achá-lo muito foda).
Essa tentativa de criar heroísmo no Aqua é evidente no arco da Akane, no qual ele impede o suicídio desta, em uma cena que seria muito melhor caso ela mesma se salvasse ou alguma personagem que realmente tivesse conexões com ela o fizesse. Essa conclusão ter envolvido o protagonista tirou boa parte do peso que ela tinha, que já não era muito porque a construção foi muito corrida.

Outro agravante quanto ao personagem é o fator da reencarnação, que não foi propriamente explicado e não sei nem se será em algum momento da história. Talvez devesse levar apenas como base de construção para a narrativa, mas não há razão para fazer dessa forma se não há explicação.
Enfim, Oshi no Ko num geral foi uma experiência positiva, porque senti carisma nos personagens e consegui até mesmo criar vínculos de identificação com alguns deles e a produção realmente é um belo destaque, porém, mesmo sendo uma introdução, acredito que poderia ter sido feito de uma forma melhor e que o plot principal será prejudicial para o continuamento da história. Enfim, espero pela segunda temporada e que a genialidade de Aka Akasaka torne essa história, que tenho tanta desesperança, em algo que goste muito.